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Blogs por justiça social
Por Fausto Rêgo
Era certo que o tema despertaria o interesse de muitos. E assim foi. Quem olhasse para dentro da sala 113 da Escola de Administração da Universidade Bolivariana da Venezuela na noite desta quarta-feira veria um numeroso e interessado grupo predominantemente formado por jovens – ativistas ou estudantes. Todos bastante curiosos para conhecer mais sobre esse modelo de publicação de sites pessoais simples e rápido, que permite a qualquer pessoa atuar como cronista, repórter, comentarista, crítico ou observador do mundo à sua volta, expandindo os limites da participação cidadã e das mobilizações populares.
A oficina ”Blogs por justiça social” foi conduzida pela organização não-governamental britânica Open Democracy (www.opendemocracy.net). Solana Larsen, ela própria editora do blog que a entidade publica sobre o Fórum Social Mundial, fez uma exposição inicial sobre as principais ferramentas para criação, administração e divulgação de blogs e, em seguida, procurou ouvir dos participantes suas experiências e motivações sobre o tema.
Uma das preocupações mais evidentes foi com a liberdade de expressão, após casos que se repetem em diversas partes do mundo de autoridades tentando reprimir ou calar blogueiros. Larsen chegou a mencionar o caso de um blogueiro iraniano que teve seu endereço bloqueado em seu país. Para escapar à repressão, ele compra um novo domínio a cada semana e usa o correio eletrônico para manter seus leitores informados sobre onde poderão encontrá-lo.
Outro caso citado trouxe o exemplo de uma história pessoal usada como motivação social. Durante os primeiros ataques das tropas comandadas pelos norte-americanos ao Iraque, uma mãe iraquiana expunha seu dia-a-dia doméstico em meio ao caos da guerra. O texto passou a ser traduzido para o inglês e ganhou a dimensão de mostrar ao mundo a realidade que não se via nas televisões, nos jornais e, principalmente, no discurso das Forças Armadas dos Estados Unidos e das tropas aliadas.
”Hoje, por exemplo, a ONG Repórteres Sem Fronteiras já reconhece os blogueiros como repórteres. E até candidatos políticos estão fazendo blogs porque sabem que ali está a juventude. E nós, dos movimentos sociais, precisamos estar atentos a isso. Precisamos caminhar na direção dessas novas idéias e abrir outras frentes de comunicação e mobilização”, conclui Larsen.
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